Um guia completo para descomplicar o Design Gráfico

Fechamento de arquivo, perfil de cor CMYK, DPI, marcas de corte. Tudo isso pode ser complicado, mas na Raised decidimos que Design Gráfico e Materiais impressos não precisam e nem devem ser um impedimento para a realização de bons trabalhos. 

Design gráfico é a grande arte projetual que resolver e solucionar desafios por meio de técnicas, conhecimentos e elementos visuais, compondo imagens, textos, ícones, formas e cores para dar uma forma a função de algo de maneira condizente com aquilo que se quer transmitir, seja para plataformas digitais ou – e principalmente – impressas. 

Design Gráfico, quando levado para o cunho de produção gráfica, tem processos muito bem estabelecidos e etapas essenciais que levam para uma demanda bem pensada, produzida e veiculada que tem como foco o sucesso do cliente.

Do digital ao gráfico: Comunicação simplificada

Para chegarmos na satisfação de ver aquilo que estava somente na tela do computador exposto em eventos, observado com curiosidade e elogiado é necessário compreender não apenas o que é para ser feito, mas também se atentar a forma de produzir isso graficamente. 

Se comunicação é essencial para as coisas serem conduzidas de forma adequada, conhecimento é aquilo que vai embasar todo o projeto e garantir qualidade do começo ao fim.

Design Gráfico engloba diversos tipos de materiais dentro do meio da produção gráfica. Alguns mais simples, outros mais complexos. Entre eles podemos citar os principais e mais solicitados:

  • Impressos diversos (folders, flyers, catálogos etc)
  • Embalagens e rótulos
  • Materiais corporativos
  • Sinalização e display
  • Produtos personalizados

Impacto de uma demanda gráfica – Entendendo a necessidade e o impacto que isso causa internamente

Uma demanda gráfica, dependendo de qual for, impacta diretamente em sua complexidade criativa, técnica, funcional e estratégica. Requer uma comunicação muito bem alinhada entre todo o time do cliente e com o cliente propriamente dito.

Diferente dos formatos digitais que são mais rápidos para serem produzidos e que possibilitam uma veiculação mais dinâmica, demandas gráficas possuem riscos mais palpáveis não só por ser um material que literalmente se pega nas mãos, mas também por que tem um processo produtivo mais longo, riscos de tamanho, erros em substrato e margem financeira muito maior.

Demandas gráficas serão eternamente táteis, palpáveis e que por seu processo produtivo extenso necessita de maior atenção e etapas bem definidas pois podem oferecer grandes impactos no processo, entrega e dia a dia ao tentar conciliar com outras tarefas: 

  • Atenção ao prazo: O prazo interno não deve ser a única preocupação, após a produção interna a gráfica parceira do cliente necessita de tempo para produção.
  • Impacto de erros simples: Processos simples, fáceis de serem implantados desde o começo podem impactar negativamente na hora de fechar um arquivo ou revisar ele internamente.
  • Financeiro: Uma demanda gráfica quando feita de forma negligente pode custar alguns bons mil reais.
  • Branding: Um branding mal estruturado e que não pense nas necessidades produtivas que uma demanda dessa exige impacta em um processo falho que no dia a dia da agência acaba acavalando em um monte de revisão, ajuste e agendas lotadas.

Porém, nem só de impacto negativo se vive ao mexer com uma demanda gráfica, por isso, listamos aqui coisas positivas que podem favorecer durante todo o processo vivenciado na produção gráfica:

  • Pensamento construtivo diferente: No design gráfico, diferente do digital, possui um pensamento de produção diferente pois cada projeto é único, com exigências diferentes e que exige colocar a criatividade para fora da caixinha para pensar além do design como estrutura.
  • Habilidades Técnicas: Oportunidade de exercer habilidades diferentes como visualização, criatividade, autonomia e também conhecimentos de softwares, pré impressão, fechamento de arquivo, fundamentos de design, tipos de substratos e processos gráficos diversos.
  • Diferenciação e branding: Um material gráfico pode auxiliar toda uma estratégia de branding e marketing, fortalecendo a humanização, conhecimento, e ações específicas para interação com público.
  • Satisfação criativa: Ver um material que antes estava apenas na tela impresso, sendo manipulado, tangível e palpável é definitivamente a melhor sensação que se pode ter.

Como iniciar uma demanda gráfica corretamente?

É necessário vários processos para garantir qualidade e sucesso do cliente, e claro que todas as partes são essenciais e trabalham juntas durante todo o processo, mas cada uma tem uma etapa diferente com necessidades próprias. 

Então, vamos por partes entender como isso funciona.

Atendimento – Qual o papel dentro desse processo?

O time de atendimento tem papel fundamental nesse processo, uma vez que é ele quem é a voz do cliente dentro da agência. É esse time que precisa recolher todas as informações que iremos utilizar para produzir essas peças. 

  1. Necessita compreender a necessidade do cliente antes de abrir e lançar uma demanda, de forma que possa questionar, instruir e aconselhar
  2. Questionar as coisas certas para obter as informações mais relevantes e facilitar a produção e a comunicação interna
  3. Entender aquela demanda como se fosse de fato produzir ela

Briefing – Quais as necessidades realmente necessárias?

Briefing completo é o sonho de toda uma agência, mas vamos combinar que nem toda informação é válida, mas algumas são essenciais. 

Precisamos pensar que as necessidades de uma demanda para produção gráfica não é só um checklist, é um entendimento e aprofundamento daquela demanda, olhar com os olhos da produção e captar os principais pontos a serem passados adiante.

  • Objetivo – O que o cliente quer com aquela peça gráfica? Quer divulgar algo? Quer ensinar ou educar sobre alguma coisa? Quer anunciar, vender? Pra que ela vai servir?
  • Veiculação – Onde esse material vai ter interação com o público desejado? Como e onde ele vai ser visto, tocado, manuseado? Em que momento ou local aquilo vai entrar na vida do público? É em um evento, na rua, em brindes…
  • Tamanho – Qual vai ser o tamanho físico daquela peça?
    • O tamanho do material se liga completamente a veiculação e tem que fazer sentido e ser coerente com essa etapa.
    • É a informação principal para de fato começar a produzir a demanda, é a partir disso que vamos determinar tamanho de texto, como abrir e esquematizar o arquivo, como ele vai ser fechado etc
  • Tamanhos pequenos – Tudo aquilo que é palpável, tocado com as mãos e manuseável, que tem interação direta com o público. Aqui se encaixam materiais como flyers, folders, catálogos, revistas, brindes, catálogos etc.
  • Tamanhos médios – Tudo aquilo que é palpável, mas não manuseável e interativo. Aqui entram banners, totens etc
  • Tamanhos grandes – Não é palpável e nem manuseável. Aqui entram grandes formatos como outdoor, banners gigantes, estandes etc
  • Obrigatoriedades – Tem algum ponto obrigatório em relação a essa demanda? Algo que seja obrigatório conter, uma especificação que mude o rumo e a produção da de
  • Referências – As referências podem ser sobre algum material produzido anteriormente, mas também pode se tratar de uma referência boba e que não combina em nada com o setor do cliente, mas aqui, tudo é válido. Muitas vezes o cliente não tem idéia do que ele quer, não tem o conhecimento pra informar isso, e se não temos uma referência que ilustre exatamente o que ele deseja as chances de erros são muito maiores e o desencontro de informação fica cada vez maior.
  • Gabaritos – Em terras desconhecidas, gabarito é ouro. Algumas gráficas e fornecedores trabalham com seu próprio gabarito para entrarem em sua própria configuração. Fora isso, se temos um gabarito base para seguir é mais fácil e dinâmico abrir o arquivo, pois já vem nas especificações o que precisa ser feito e agiliza a produção. Também nos protege contra erros de impressão da gráfica.

⚠️📣Fica a dica de que, nem sempre é uma gráfica, propriamente dita, que vai fazer a impressão de alguns materiais, como de eventos, por exemplo. As vezes é a própria organização do evento, o próprio local de produção de stand e dependendo até arquitetos desse tipo de projeto. Nesse caso, nem sempre teremos um gabarito, por isso é importante lembrar de solicitar arquivos abertos, especificações de medidas, desenhos técnicos etc.

Redação – Como entender graficamente algo que não está pronto?

Assim como todo o briefing deve conversar e fazer sentido entre si, a redação deve estar ressoando com o tipo de peça que vai ser produzida.

  • Informações como tamanho da peça devem ser levadas em consideração
  • Entender que qualquer material vai traduzir visualmente aquilo que está na redação, portanto a redação deve estar alinhada com o design
  • Todo material tem imagens, identidade do cliente, informações de contato, redes sociais, QR code (sempre tagueado, por favor), portanto é necessário prever esses espaços e adaptar a redação para que contemplem e respeitem esses pontos
  • Menos é mais. Se em vídeo a informação tem que ser sucinta, no gráfico a informação deve ser objetiva, já que se trata de um material muito mais visual.
  • Adaptação para formatos é extremamente necessário para manter a coerência e legibilidade independentemente do formato em que for adaptado.
  • Base para qualquer material é título e subtítulo, chama principal e complemento
  • Escaneabilidade deve ser fácil e intuitiva
  • Hierarquia visual é necessária para destacar os principais pontos de forma certa. Aquilo que é indispensável vem primeiro, o que é importante vem em segundo e o que for complemento (se necessário) vem depois

Design – Como produzir graficamente?

Entendendo e verificando se tem tudo da demanda antes de abrir o software. Antes de abrir o software é necessário já ler o briefing com pensamento de produção, pensando nas etapas que vão precisar ser feitas, nas informações que vão ser colocadas, nas especificidades que vão ser configuradas. É necessário exercer a capacidade de visualização antes de começar a materializar aquilo. Isso evita descobertas desagradáveis, previne erros que podem ser antecipados e dá a chance de fazermos tudo de forma mais pragmática.

Softwares necessários para produzir

  • Adobe Photoshop – Tratamento de imagens, conversão de medida e perfil de cor, formato, efeitos especiais etc
  • Adobe Illustrator – Montagem e produção do arquivo, revinculação, tipografia, exportação etc
  • Abrindo o arquivo (tamanhos, CMYK, sangria, margem)
    • Tamanho: Se atentar se a medida está em mm, cm ou m. E se for um arquivo grande, trabalhar com escala e proporção para fazer a arte.
    • CMYK: É obrigatório que um arquivo gráfico seja feito em CMYK, e é de bom tom e estratégico que isso seja feito desde o começo. 
    • Sangria: Obrigatório ter em todo e qualquer material. É um recuo utilizado, uma medida extra adicionada internamente para vazar imagens, texturas, grafismo e garantir que na hora do corte não tenha refile branco.
    • Margem: Da mesma forma que a sangria é uma margem “pra fora” do arquivo com intenção de proteger do corte, a margem é um recuo “pra dentro” que protege textos, informações importantes e também dá um respiro para que os elementos não fiquem muito próximos aos limites da arte.
  • Fechando o arquivo (tamanhos, tratamento de imagem, CMYK, resolução, dpi, escala, margens, guias, sangria etc)
  • Com o arquivo revisado, aprovado e liberado para envio vamos começar o processo de fechamento de arquivo.

Tamanho de arquivo, escala e proporção: Após aprovado, a primeira coisa a ser feita é colocar a arte no tamanho original para ser exportado, mas se for um tamanho grande pode ser exportado em escala, desde que garanta a qualidade das imagens.

Tratamento de imagens: Durante o processo de produção, várias coisas podem ser refeitas, e a troca de fotos é algo que sempre tem ajuste, por isso boas práticas estratégicas são essenciais nessa etapa, que é feita somente após aprovação da demanda pois é a parte mais demorada do fechamento de um arquivo, principalmente se estivermos trabalhando com tamanhos grandes.. 

O tratamento de fotos engloba clarear, fazer algum ajuste, converter pra CMYK e DPI e fechar no formato e tamanho correto a ser utilizado. 

  • Utilizar área útil: Manter a foto a ser utilizada na medida da área útil em que ela vai ser inserida
  • Conversão em CMYK: 
No Photoshop, no menu imagem e na aba Modo, o perfil de cor pode ser alterado para CMYK
  • Conversão para DPI: A quantidade de DPI para materiais gráficos vai variar de 150 a 300 DPI de acordo com o tamanho e necessidade do material.
    • Para converter basta ir na janela imagem e na aba tamanho da imagem
No menu Imagem no Adobe Photoshop, na aba Tamanho de imagem
Janela no Adobe Photoshop de tamanho imagem com definições para conversão de Resolução

Substituição das fotos tratadas e vinculação: Após as fotos serem tratadas e organizadas teremos que substituir todas as fotos pelas novas já ajustadas. Essa etapa é imprescindível, pois quando o arquivo chega na gráfica e eles fazem a checagem interna do arquivo, se a foto não estiver vinculada ela some da arte e corre o risco de ser impresso sem ela ou em baixa qualidade

Janela Links no Adobe Illustrator mostrando imagens desvinculadas e botão Revincular
Janela Links no Adobe Illustrator no menu de mais opções indicando para Incorporar Imagem

Transformar tipografia em objetos: Também internamente na gráfica, se a tipografia não estiver curvada, corre risco de perder vínculo e tudo ser impresso em Myriad Pro ou Arial e não queremos esse risco, certo?

Salvar arquivo aberto e fechado: Também é necessário termos o último arquivo enviado para a gráfica curvado e fechado para edições, para sabermos de fato o que chegou para eles e como chegou através do software. Também é essencial termos a versão editável e aberta, com textos editáveis, fotos vinculadas etc.

Fechamento de arquivo: Arquivo pronto, vinculado, otimizado, curvado é hora de fechar o pdf.

Janela do Adobe Illustrator mostrando o direcionamento > Menu Arquivo > Salvar uma Cópia.
Janela de Salvar uma Cópia, direcionamento >Tipo > Adobe PDF
Janela Salvar Adobe PDF mostrando predefinição [PDF/X-1a-2001], com Padrão PDF/X-1a-2001 e Compatibilidade Acrobat 4 PDF 1.3
Janela definição de Compactação, todos os itens em Não reduzir resolução
Janela definição de Marcas e Sangrias, todos os itens marcados
Janela definição de saída Converter em destino e Espaço de trabalho CMYK
janela definição Avançada, predefinição Alta Resolução

Como revisar uma demanda gráfica?

Além da parte visual, checagem de informações e validação, é interessante também confirmar técnicamente se o arquivo está dentro dos parâmetros. 

  • Sangria, corte, linha de registro, margem: Todas essas marcas devem aparecer, exceto a margem. Algumas gráficas pedem marcas específicas ou pedem para remover algumas.
Página de um material gráfico tipo flyer com linha de corte, marca de registro e  sangria no Adobe Acrobat PDF
  • Perfil de cor: Em visualização de saída é possível ver o perfil de cor que o documento se encontra, se foi fechado devidamente nesse formato.
Imagem de visualização de saída no Acrobat Adobe PDF
  • Tamanho + Sangria: No acrobat o tamanho sempre vai parecer estar errado, isso por que quando o arquivo é fechado em pdf a medida de sangria não é contada a parte da medida do arquivo, ela é adicionada. Portanto, se um arquivo tiver 10×10 e a medida de sangria for 0,5mm de cada lado esse arquivo no acrobat irá constar como 11×11, pois ele irá somar a sangria de todos os lados. Isso não interfere no resultado final, por que temos a marca de corte, que é onde a gráfica vai refilar e que dita onde é o tamanho original do arquivo.
Imagem de Propriedades do documento no Adobe Acrobat PDF

Nomenclatura e diferenciação de Materiais internos – A importância de falarmos a mesma língua e identificar os mesmos materiais

  • É importante que todos dentro da agência falem a mesma língua para distinguir os materiais internos, pois isso diminui ruídos de comunicação e mantém o briefing mais assertivo. O cliente geralmente não entende a parte técnica dos materiais, isso é, sua nomenclatura, portanto é parte fundamental que internamente saibamos identificar o que ele deseja com base nas informações que eles fornecem, seja para instruir o time no caminho certo ou até mesmo como forma de aconselhamento para o cliente.

Flyer

  • Produto de porte (tamanho) pequeno
  • Frente e Verso, ou só frente
  • Tamanhos geralmente usados: A5, A6

Cartaz

  • Produto de porte (tamanho) pequeno
  • Geralmente frente, mas dependendo da veiculação frente e verso (display)
  • Tamanhos geralmente usados A4 e A3

Folder

  • Produto de porte (tamanho) pequeno
  • Conteúdo mais robusto
  • Possui dobras e faces (geralmente 2 dobras e 6 faces)
  • Frente e verso
  • Tamanho total geralmente usado: A4

Catálogo/Revista

  • Produto de porte (tamanho) pequeno
  • Conteúdo mais robusto
  • Possui paginação e encadernação

Banner

  • Produto de médio porte
  • Conteúdo em teor de anúncio
  • Frente

Outdoor

  • Produto de grande porte
  • Veiculação em rodovias, ruas, lugares de grande acesso de pessoas

Estande

  • Tudo aquilo que compõe parte da estrutura de um local de evento

Dito tudo isso, entendemos que design gráfico e produção gráfica não precisa ser dificil, mas quando bem sistematizado, compreendido e embasado em conhecimento, técnica e processos bem definidos se torna fácil compreender as necessidades que uma demanda dessa exige.

Conte com um time de especialistas em design gráfico

A Raised tem um time especializado, comprometido e curioso que se diverte – e muito – fazendo esse tipo de demanda. E você? Tinha ideia que isso tudo permeava a produção de um arquivo para produção gráfica?

A Raised é especialista em Produção Gráfica! Entre em contato e saiba mais!

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Foto de Juliana Araujo

Juliana Araujo

Juliana Araujo é jornalista e redatora e está finalizando a graduação na Universidade Metodista de São Paulo (UMESP). Com o objetivo de aprimorar sua habilidade na escrita publicitária, se especializou na área da comunicação e marketing. Além disso, seu portfólio inclui produção de textos para coluna esportiva e de cultura, blogs, releases e outros formatos textuais.

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